Demonstrativo de Resultados do Exercício: Resumo financeiro dos resultados de uma empresa

demonstrativo do resultado do exercício
Demonstrativo de Resultados do Exercício: demonstrativo financeiro que busca responder quanto a empresa teve de receitas, despesas e lucros ao longo de um determinado período.

O Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) resume como as operações da empresa foram realizadas durante um determinado período de tempo (exercício).

Esse demonstrativo é capaz de responder quanto de dinheiro a empresa gerou (suas receitas), o quanto ela gastou (suas despesas), e a diferença entre os dois (o lucro).

O DRE busca responder perguntas do tipo:

  • Como se comportaram as despesas da empresa neste ano?
  • Será que a empresa teve algum lucro operacional durante o período?
  • Será que o seu negócio teve um resultado melhor do que o ano passado?

Vamos percorrer as diferentes componentes da demonstração de resultados, tanto itens como subitens.

Você vai aprender a importância do DRE para identificar e compreender a saúde financeira da empresa e, principalmente, evitar empresas que não trazem retorno ao investidor.

Neste artigo você vai aprender:

  • Como o DRE mostra as receitas, despesas e receitas reconhecidas ao longo de um período de tempo
  • As empresas utilizam a contabilidade de exercício (ou regime de competência) para mostrar quando as receitas e despesas ocorreram, ao contrário de quando é transferida
  • Como as margens brutas e operacionais podem ajudar a revelar tendências importantes sobre os resultados financeiros da empresa

Elementos do Demonstrativo de Resultados do Exercício

O Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) apresenta grande utilidade aos investidores, aos bancos financiadores, ao governo e aos administradores das empresas, que podem avaliar através dela sua capacidade e, quando necessário, modificar a administração da empresa.

Quando a DRE retrata a real situação da empresa torna possível uma administração voltada para a eficiência e a competência, e é flexível aos interesses dos usuários de maneira geral.

O DRE é extremamente relevante para avaliar desempenho da empresa e a eficiência dos gestores em obter resultado positivo.

Seu objetivo é demonstrar a formação do resultado líquido em um exercício através do confronto das receitas, despesas e resultados apurados, gerando informações significativas para tomada de decisão.

Conforme legislação brasileira (Lei nº 6.404, de15 de dezembro de 1976, Lei das Sociedades por Ações) as empresas deverão discriminar na Demonstração do Resultado do Exercício as seguintes linhas:

  • Receita Bruta
  • Receita Líquida
  • Custo do Produto ou Serviço Vendido
  • Resultado Bruto
  • Despesas Operacionais
    • Despesas com Vendas
    • Despesas Gerais e Administrativas
    • Outras Receitas/Despesas Operacionais
  • Resultado Operacional Antes dos Impostos e Receitas/Despesas Financeiras
  • Receitas/Despesas Financeiras
  • Resultado Operacional Antes dos Impostos
  • Impostos
  • Resultado Líquido (Lucro ou Prejuízo Líquido)

Vamos percorrer cada item para que fique claro como eles afetam os resultados da empresa.

Receita Bruta

Apesar do DRE de empresas em diferentes indústrias não terem exatamente a mesma aparência, quase todos começam com a receita da empresa para o período. Receita, ou “vendas” representa a quantidade de dinheiro que uma empresa acumulou com a venda de seus produtos e/ou serviços.

Dependendo da natureza do fluxo de receitas, uma empresa vai acolher as receitas de várias maneiras. Quando você compra um sapato na Arezzo, por exemplo, a Arezzo reconhece a receita quando você compra algum de seus produtos, independente ter sido em dinheiro ou cartão de crédito. O que importa eh que tenha ocorrido uma compra.

Os bancos e algumas outras instituições financeiras, como seguradoras e financeiras, ganham dinheiro com juros – ou seja, eles não necessariamente “vendem” alguma coisa – suas declarações de renda parecem diferentes. Na verdade, essas instituições vendem dinheiro, e como sabemos, o dinheiro tem valor no tempo.

Outro exemplo, uma companhia de seguros irá “reconhecer”, a receita de prêmios que você paga gradualmente ao longo do período em que você está coberto.

Neste momento é importante entender como funciona a “política de reconhecimento de receita”, uma empresa que pode ser encontrada nas notas que acompanham as suas demonstrações financeiras, para ver como ele explica a sua receita.

Receita Líquida

Muitas empresas iniciam um DRE com a Receita Líquida ao invés da Receita Bruta.

A Receita Líquida se refere à Receita Bruta com deduções, em outras palavras, se tira do faturamento os impostos indiretos, entre eles, PIS/Cofins, ISS, ICMS e outros.

Para chegar a Receita Líquida, é necessário subtrair (-) ou somar (+) a Receita Bruta os seguintes ajustes:

(-) Impostos e Contribuições Incidentes sobre Mercadorias e Serviços (ISS, ICMS, PIS/COFINS)

(-) Descontos Concedidos

(-) Devoluções de Vendas

(+) Reversão dos Impostos Sobre Devoluções de Vendas

(-) Abatimentos sobre Vendas (SEM REVERSÃO dos impostos sobre a parte abatida)

Custo do Produto ou Serviço Vendido

Custo das vendas (também conhecido como custo dos produtos vendidos – CPV – ou custo de serviços) representa todas as despesas diretamente ligado a criação dos produtos ou serviços que a empresa vende.

Exemplos incluem matérias-primas, itens adquiridos para revenda, o custo de funcionamento de uma fábrica e de trabalho.

(-) Custo dos Produtos Vendidos (CPV, inclui frete/seguros sobre compras de insumos)

(-) Custo das Mercadorias Vendidas (CMV, inclui frete/seguros sobre compras de mercadorias)

(-) Custo dos Serviços Prestados (CSP)

Por exemplo, se o custo da Guararapes, dona das Lojas Riachuelo, é de R$ 5,00 para fabricar uma blusa que você comprou, então R$ 5,00 é considerado um custo do produto vendido.

O aço e borracha que a empresa Marcopolo teve que comprar para fazer seus ônibus também seriam agrupados em custo de produtos vendidos.

Resultado Bruto

Para chegar ao Resultado Bruto, também chamado de Lucro Bruto, basta subtrair as receitas o custo das vendas.

O resultado bruto, ou resultado operacional bruto, mostra quanto de um markup uma empresa recebe sobre os produtos e serviços que comercializa.

Se você pagou R$ 12 para um DVD nas Lojas Americanas, e o custo de aquisição foi de R$ 9, o lucro bruto das Lojas Americanas é de R$ 3, ou 25% do preço de venda (chamada de margem bruta).

Despesas Operacionais

Uma empresa precisa gastar dinheiro para ganhar dinheiro, e essas saídas de fabricação e venda de seus produtos ou prestação de serviços e venda de suas representam despesas de uma empresa.

As despesas operacionais das empresas são geralmente agrupadas em categorias semelhantes, em geral são:

  • Despesas com Vendas
  • Despesas Gerais e Administrativas
  • Outras Receitas/Despesas Operacionais

Despesas com Vendas

As despesas com vendas são as despesas incorridas na tentativa de criar vendas para a empresa. Veja a lista:

  • Publicidade e propaganda
  • Depreciação de veículos de vendas/entregas
  • Fretes/seguros sobre vendas
  • Salários e compensação para os vendedores
  • Despesa de provisão para devedores duvidosos

Despesas Gerais e Administrativas

As despesas gerais e administrativas representam despesas mais gerais de operação de negócios de uma empresa. As despesas relacionadas com:

  • Recursos humanos de uma empresa
  • Departamentos de finanças
  • Despesas relacionadas com edifícios e escritórios (impostos e aluguéis)
  • Salários de executivos
  • Honorários de diretoria
  • Depreciações e amortizações em geral (veja adiante)

Outras Receitas/Despesas Operacionais

Outras receitas ou despesas operacionais representam todas as outras receitas ou despesas relacionadas com operações primárias de uma empresa não incluídos nas categorias acima.

Muitas vezes, os custos não recorrentes ou ganhos contábeis estão incluídos aqui. Preste muita atenção a esses itens. Algumas empresas abusam destes eventos contábeis e, o que deveria ser lançamentos “não-recorrentes” passam se tornar recorrentes.

Além disso, as empresas freqüentemente incluem itens como custos de reestruturação, que são os custos incorridos para fechar uma fábrica ou demitir parte da força de trabalho, por exemplo.

Dentro dessa linha também podem incluir baixas de ativos ou reduções de valor (o chamado impairment), que muitas vezes sugerem que a gestão pode ter pago demais para um determinado ativo ou investido muito em um negócio não lucrativo.

As Outras Receitas Operacionais incluem:

  • Receitas de equivalência patrimonial
  • Receitas de ajuste ao valor de mercado
  • Aluguéis ativos
  • Reversão de provisão para devedores duvidosos

As Outras Despesas Operacionais incluem:

  • Despesas de equivalência patrimonial
  • Despesas de ajuste ao valor de mercado
  • Custo com pesquisa e desenvolvimento tecnológico
  • Impairment (baixa de ativos)

Depreciação e Amortização

Quando uma empresa adquire um ativo que pretende utilizar durante um período de tempo, como uma peça de equipamento de fábrica ou de um edifício, o custo de todo o ativo não é imediatamente debitado no DRE.

Em vez disso, as despesas com o ativo devem ser reconhecidas gradualmente ao longo da vida útil estimada desse ativo. Esta despesa representa o desgaste normal do equipamento do edifício ou e desgaste ao longo do tempo, e é referido como despesa de depreciação.

A amortização é semelhante à depreciação. A diferença é que ela se se refere a ativos intangíveis ou ativos que não têm uma presença física, como a marca da empresa, uma patente ou concessão.

Muitas vezes, Depreciação e Amortização já estão incluídas nas Outras Despesas Operacionais, mencionadas acima, assim você não pode vê-los listados separadamente na demonstração de resultados do exercício

No entanto, a demonstração dos fluxos de caixa, uma das outras demonstrações financeiras principais, tem valores de depreciação e amortização (algumas vezes combinado) divulgados.

Vale a pena notar que as despesas de depreciação e amortização são despesas não monetárias.

Resultado Operacional Antes dos Impostos e Receitas/Despesas Financeiras

Indiscutivelmente o melhor indicador do verdadeiro desempenho da empresa, o Resultado Operacional, também chamado de Lucro Operacional.

Esse resultado permite analisar como esta a produtividade operacional da empresa, que tem haver puramente com os negócios, ignorando variações devido a receitas/despesas financeiras e impostos.

O resultado operacional também é às vezes chamado “lucro antes de juros e impostos” (EBIT), porque essas despesas não são consideradas despesas “operacionais”.

Receitas/Despesas Financeiras

A fim de angariar fundos para a compra de ativos utilizados para executar o negócio, uma empresa pode emitir dívida (ou seja, pedir dinheiro emprestado). Na maioria dos casos, a empresa é obrigada a pagar juros sobre essas obrigações.

Por outro lado, quando uma empresa tem mais dinheiro do que é atualmente precisa para operar seu negócio, pode investir esse dinheiro em excesso.

Esses investimentos muitas vezes ganham juros ou rendimentos. No DRE, você pode ver a despesa de juros e receita de juros listados separadamente ou agrupados como despesa líquida de juros ou renda líquida de juros.

Basicamente, as Despesas Financeiras são:

  • Pagamento de juros
  • Pagamento de IOF
  • Variações monetárias passivas
  • Descontos condicionais concedidos
  • Custo de venda de ativo imobilizado

Já as Receitas Financeiras incluem:

  • Recebimento de juros de aplicações financeiras
  • Aluguéis recebidos
  • Variações monetárias ativas
  • Descontos condicionais obtidos
  • Receita de venda de ativo imobilizado

Resultado Operacional Antes dos Impostos

Esse é o resultado operacional líquido antes do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro.

Essa linha do DRE pode ser utilizada também para avaliar os resultados operacionais da empresa, levando e conta as receitas e despesas financeiras.

Se esse resultado diferir muito do resultado EBIT, significa que resultados financeiros possuem grande peso nos resultados da empresa.

Impostos

Assim como você paga impostos ao Governo, a maioria das empresas também o fazem.

Para as empresas que tenho tido lucro, os impostos são um gasto na demonstração dos resultados.

No Brasil, além dos Imposto de Renda para Pessoa Jurídica (IRPJ), as empresas (pessoas jurídicas domiciliadas no país, e aquelas equiparadas pela legislação do imposto sobre a renda) também pagam a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), um imposto utilizado para apoiar financeiramente a Seguridade Social.

As normas de apuração e pagamento que são aplicadas à CSLL são as mesmas que são estabelecidas para o Imposto sobra a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ.

Resultado Líquido (Lucro ou Prejuízo Líquido)

O Resultado Líquido é o que sobrou para uma empresa após todas as despesas foram contabilizadas.

Como é a última linha do DRE e o objetivo final da empresa, é por vezes referido como o “bottom line“.

Muitas equipes de gestão e analistas financeiros falam muito sobre o lucro líquido, mas tenha em mente que muitos tipos de itens, tais como ganhos não recorrentes, podem distorcer esse item.

Em geral, é um proxy pobre para o fluxo de caixa de uma empresa. E, embora o resultado líquido seja importante, não deve ser pensado como o fim de tudo.

Lucro Por Ação (LPA)

O lucro por ação, ou “LPA”, é simplesmente o lucro líquido dividido pelo número médio ponderado de ações em circulação durante o período relevante. (Este número de ações também está listado na declaração de renda.)

LPA é uma importante métrica, visto que é o lucro que sobrou para os acionistas para cada ação. A maior vantagem desse indicador é que permite a comparação entre lucros entre empresas comparáveis (do mesmo setor e segmento de atuação).

Por exemplo, sejam A e B duas empresas do setor de calçados.

Em um determinado ano, a empresa A teve um lucro líquido de R$ 150 milhões, já a empresa B teve de R$ 250 milhões. A empresa tem A um total de 250 milhões de ações em circulação, já a B tem 500 milhões de ações em circulação.

Assim, o LPA da empresa A é de R$ 0.60 e da empresa B é R$ 0.50.

Percebe que agora a empresa A teve um lucro maior (por ação) que a empresa B ?

Essa é a vantagem de utilizar esse indicador para análise do lucro entre duas empresas.

Apesar de ser utilizado o Lucro Líquido, é possível utilizar qualquer outra métrica, como Receita Líquida, Resultado Operacional, EBITDA, etc.

O LPA pode ser um número útil, mas certifique-se de considerá-lo em contexto com outras informações financeiras da empresa.

CONCLUSÕES

O Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) é uma demonstração contábil que se destina a evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício, através do confronto das receitas, custos e despesas, apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência.

Neste artigo foi visto como é formada a estrutura dos elementos do DRE, formando uma base para a interpretação do DRE e avaliar o desempenho e rentabilidade de uma empresa.

Sua estrutura é formada por:

  • Receita Bruta
  • Receita Líquida
  • Custo do Produto ou Serviço Vendido
  • Resultado Bruto
  • Despesas Operacionais
    • Despesas com Vendas
    • Despesas Gerais e Administrativas
    • Outras Receitas/Despesas Operacionais
  • Resultado Operacional Antes dos Impostos e Receitas/Despesas Financeiras
  • Receitas/Despesas Financeiras
  • Resultado Operacional Antes dos Impostos
  • Impostos
  • Resultado Líquido (Lucro ou Prejuízo Líquido)

Também é muito comum ao final do DRE ser mostrado o indicador Lucro Líquido Por Ação (LPA). A maior vantagem desse indicador é que permite a comparação entre lucros entre empresas comparáveis (do mesmo setor e segmento de atuação).

Ao analisar um DRE, você deve perceber se uma empresa é rentável ou não, na verdade, é uma consideração importante ao decidir se deve ou não se tornar um acionista naquela empresa.

Bons investimentos!

Fontes de consulta

  • http://www.contabeis.com.br/artigos/801/conceito-objetivos-e-estrutura-da-dre/
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Demonstrativo de Resultados do Exercício: Resumo financeiro dos resultados de uma empresa
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