Finanças Comportamentais: Como a psicologia explica nosso comportamento (irracional) nos investimentos

finanças comportamentais
Como age nossa mente em relação ao dinheiro?

Finanças comportamentais é um campo de estudo relativamente novo.

Basicamente ela procura combinar teoria psicológica comportamental e cognitiva com economia e finanças convencionais para fornecer explicações de porque as pessoas tomam decisões financeiras irracionais.

O comportamento do mercado de ações se parece muito com de uma pessoa: tem humores voláteis, podem ir da depressão a euforia,  podem reagir rapidamente de uma forma um dia e fazer outra coisa no próximo.

Mas, pode a psicologia realmente nos ajudar a compreender os mercados financeiros? Será que ela pode nos fornecer melhores insights na hora de investir?

Teóricos de finanças comportamentais sugerem que pode.

O que você vai aprender neste artigo:

  • Quem são os defensores (e críticos) das finanças comportamentais
  • O que são heurísticas, vieses cognitivos e atalhos mentais
  • Como se beneficiar das finanças comportamentais em sua jornada como investidor

O que é Finanças Comportamentais?

Finanças comportamentais é um campo de estudo que mistura a psicologia com economia que argumenta que as pessoas não são tão racionais quanto a teoria de finanças tradicionais acreditam.

Para os investidores que estão curiosos sobre como as emoções conduzem os preços das ações, finanças comportamentais oferece algumas descrições e explicações interessantes.

A ideia de que a psicologia impulsiona movimentos do mercado de ações bate de frente com as teorias estabelecidas que defendem de que os mercados são eficientes.

Os defensores da Hipótese do Mercado Eficiente  (HME) dizem que qualquer nova informação relevante  está descontada dos preços das ações no mercado através do processo de arbitragem.

Para qualquer um que tenha passado pela bolha da internet em 2001 e a crise financeira de 2008, a teoria do mercado eficiente é bem difícil de engolir.

Estudiosos de finanças comportamentais explicam que, ao invés de serem anomalias, o comportamento irracional é comum.

Na verdade, os pesquisadores reproduzem o comportamento do mercado usando experimentos muito simples – que certamente serão abordados em outros artigos no blog.

Teóricos das finanças comportamentais

Como qualquer outro ramo de finanças, o campo das finanças comportamentais tem certas pessoas que têm fornecido grandes contribuições teóricas e empíricas.

A seção a seguir fornece uma breve introdução a quatro dos maiores nomes associados ao campo.

Daniel Kahneman e Amos Tversky

Psicólogos especializados em pensamentos cognitivos Daniel Kahneman e Amos Tversky são considerados os pais da economia/finanças comportamentais. Ambos estão entre os mais respeitados e influentes psicólogos do mundo.

Desde suas colaborações iniciais no final dos anos 60, esta dupla publicou cerca de 200 obras, a maioria relacionada a conceitos psicológicos com implicações para as finanças comportamentais.

Kahneman e Tversky concentraram grande parte de sua pesquisa nos vieses cognitivos e heurísticas (isto é, abordagens para a resolução de problemas) que levam as pessoas a se envolverem em comportamentos irracionais imprevistos.

Suas obras mais populares e notáveis ​​incluem escritos sobre a teoria do prospecto (Prospect Theory) e o viés de aversão à perda (Loss aversion bias).

Infelizmente, em Junho de 1996, Amos Tversky,  morreu de melanoma metastático, aos 59 anos.

Daniel Kahneman ganhou o 2002 o Prêmio Nobel em Ciências Econômicas por seu trabalho sobre a teoria do prospecto e contribuições ao estudo da racionalidade na economia. Interessante que Kahneman é um psicólogo de pesquisa e não um economista.

Se não fosse por sua morte prematura, Amos Tversky, certamente teria compartilhado o prêmio (nada mais que justo!).

Daniel Kahneman e Amos Tversky
Daniel Kahneman e Amos Tversky: Teóricos considerados pais das Finanças Comportamentais.

Richard Thaler

Enquanto Kahneman e Tversky forneceram as primeiras teorias psicológicas que seriam a base para as finanças comportamentais, este campo não teria evoluído se não fosse pelo economista Richard Thaler.

Durante seus estudos, Thaler tornou-se especialista em detectar as deficiências nas teorias econômicas convencionais enquanto se relacionam aos comportamentos das pessoas.

Depois de ler uma versão preliminar do trabalho de Kahneman e Tversky sobre a teoria do prospecto, Thaler percebeu que, ao contrário da teoria econômica convencional, a teoria psicológica poderia explicar a irracionalidade nos comportamentos.

Thaler passou a colaborar com Kahneman e Tversky, misturando economia e finanças com a psicologia para apresentar conceitos, tais como contabilidade mental, o efeito de dotação e outros preconceitos.

Richard Thaler Finanças Comportamentais
Richard Thaler

Dan Ariely

Dan Ariely é um professor de psicologia e economia comportamental americano de origem israelense.

Autor do livro Predictably Irrational (Previsivelmente Irracional), Ariely explica como expectativas, emoções, normas sociais e outras forças invisíveis, aparentemente ilógicas, desviam nossas habilidades de raciocínio.

Não só nós cometemos erros surpreendentemente simples todos os dias, mas fazemos os mesmos tipos de erros.

Falhamos em entender os efeitos profundos de nossas emoções sobre o que queremos e sobrevalorizamos o que já possuímos.

Dan Ariely Finanças Comportamentais
Dan Ariely

Críticos das finanças comportamentais

Embora as finanças comportamentais tenham ganhado apoio e espaço nos últimos anos, não seria nada sem seus críticos.

Alguns defensores da hipótese do mercado eficiente, por exemplo, são críticos ferrenhos das finanças comportamentais.

A hipótese de mercado eficiente é considerada uma das bases da teoria moderna das finanças. No entanto, a hipótese não leva em conta a irracionalidade porque pressupõe que o preço de mercado de um título reflete o impacto de todas as informações relevantes à medida que são divulgadas.

O crítico mais notável das finanças comportamentais é Eugene Fama, o fundador da Teoria do Mercado Eficiente.

O Professor Fama sugere que, embora existam algumas anomalias que não podem ser explicadas pela teoria moderna das finanças, a eficiência do mercado não deve ser totalmente abandonada em favor das finanças comportamentais.

De fato, ele observa que muitas das anomalias encontradas nas teorias convencionais podem ser consideradas eventos de curto prazo que eventualmente são corrigidos ao longo do tempo.

Em seu artigo de 1998, intitulado “Market Efficiency, Long-Term Returns And Behavioral Finance” , Fama argumenta que muitas das descobertas em finanças comportamentais parecem contradizer-se mutuamente e que, em suma, a própria finanças comportamentais parecem ser uma coleção de Anomalias que podem ser explicadas pela eficiência do mercado.

Heurísticas e Vieses Cognitivos

Finanças comportamentais estuda diferentes heurísticas e vieses cognitivos que os seres humanos possuem.

Estas distorções, ou atalhos mentais, apesar de terem o seu lugar e propósito na natureza, levam a decisões de investimento irracionais.

Esse entendimento, em um nível coletivo, dá uma explicação mais clara de por que ocorrem bolhas e pânicos.

Os investidores individuais e administradores de carteiras têm interesse em compreender finanças comportamentais, não só para aumentarem a rentabilidade sobre suas ações no mercado de títulos, mas também para serem mais conscientes do seu próprio processo de tomada de decisão.

Aversão a Perdas: Perder dói muito mais!

Ofereça a alguém uma escolha de ganhar R$ 50 ou na jogar uma moeda, com a possibilidade de ganhar R$ 100 ou não ganhar nada.

As chances são de que a pessoa vai querer os R$ 50.

Agora inverta tudo. Ofereça uma escolha entre perder de R$ 50 ou que possa jogar uma moeda com possibilidade de perder R$ 100 ou não perder nada.

A pessoa vai querer jogar a moeda.

As chances da moeda, de uma maneira ou de outra, são equivalentes para ambos os cenários, mas as pessoas vão querer jogar para salvar-se da perda mesmo que essa jogada possa significar uma perda ainda maior!

As pessoas tendem a ver a possibilidade de recuperar uma perda como mais importante do que a possibilidade de ganhar.

A prioridade de evitar perdas é válido também para os investidores na bolsa de valores.

Isso pode levar a prejuízos enormes!

Basta pensar nos acionistas da OGX que assistiram o valor das ações despencarem de R$ 100,00 no início de 2013 para menos de R$ 2,00 em 2014.

Não importa quão baixo o preço caia, os investidores, acreditam que o preço acabará por voltar, e muitas vezes se prendem a suas ações.

A dor de vender e amargar prejuízos é muito maior que o prazer de obter lucros.

Manada x Indivíduo

O efeito manada explica por que as pessoas tendem a imitar os outros.

Quando o mercado se move para cima ou para baixo, os investidores estão sujeitos a um medo de que outras pessoas podem estar sabendo algo a mais ou tenham mais informações. Como consequência, sentem um forte impulso para fazer o que os outros estão fazendo.

Estudos em finanças comportamentais mostram que os investidores tendem a colocar muito peso em opiniões de pequenas amostras de dados, ou mesmo fontes individuais.

Por exemplo, os investidores são conhecidos por atribuírem habilidade ou talento ao invés de sorte para um analista que escolheu uma ação lucrativa.

Por outro lado, as crenças dos investidores não são facilmente abaladas.

Uma crença que investidores se prenderam no final de 1990 era de que qualquer queda súbita no mercado era um bom momento para comprar.

Na verdade, essa visão ainda permeia.

Os investidores possuem forte excesso de confiança em seus julgamentos e tendem a atacar um único detalhe ao invés do que é o mais óbvio.

Quão prático são as Finanças Comportamentais?

Podemos nos perguntar se esses estudos vão ajudar os investidores a vencerem em seus investimentos no mercado.

Afinal de contas, deficiências racionais devem fornecer a abundância de oportunidades rentáveis para os investidores que entendam como sua mente funciona.

Na prática, no entanto, poucos investidores em valor estão utilizando princípios comportamentais para classificar quais ações estão baratas que realmente oferecem retornos acima dos riscos. O impacto das pesquisas de finanças comportamentais continuam a ser maiores na academia do que nos investimentos na prática.

Enquanto ele aponta para inúmeras deficiências racionais, o campo oferece pouco em termos de soluções que permitam realmente se beneficiar das manias de mercado.

Robert Shiller, autor do livro Irrational Exuberance (2000), mostrou que no final de 1990, o mercado estava no meio de uma bolha. Mas ele não poderia dizer quando a bolha iria explodir.

Da mesma forma, os defensores das finanças comportamentais de hoje não podem nos dizer quando o mercado chegou ao fundo.

Eles podem, no entanto, descrever o que pode parecer.

Recomendo a leitura dos seguintes artigos:

CONCLUSÕES

Os pesquisadores de finanças comportamentais ainda têm de chegar a um modelo coerente que realmente possa predizer o futuro em vez de meramente explicar, com o benefício da retrospectiva, o que o mercado fez no passado.

A grande lição é que a teoria não dizem às pessoas como vencer o mercado.

Em vez disso, explica que a psicologia faz com que os preços de mercado e os valores fundamentais podem divergir por um longo tempo, criando distorções que podem ser aproveitadas pelos investidores.

As finanças comportamentais não oferecem milagres nos investimentos, mas talvez possam ajudar os investidores a treinar o seu mindset para que fiquem mais atentos ao seu comportamento e possam evitar cometer erros.

Bons investimentos!

Fontes de consulta

  • Créditos da imagem: http://www.dreamstime.com
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Behavioral_economics
  • http://www.behaviouralfinance.net/
  • http://www.investopedia.com/terms/b/behavioralfinance.asp
  • http://www.investopedia.com/university/behavioral_finance/
  • http://www.wrprates.com/heuristicas-e-vieses-atalhos-e-erros-na-tomada-de-decisao/
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