Investimento x Especulação: Entenda a diferença de uma vez por todas!

Investir x Especular: qual a diferença entre eles? Qual caminho seguir?
Investimento x Especulação: esses caminhos não devem se cruzar. Saiba agora o porque.

Você sabe o que é investimento?  Ser um Investidor?

E Especulador?

Talvez?

Muita gente confunde investimento e especulação. Pior, acham que o termo “especulador” é depreciativo ou referenciado para iniciantes do mercado. Existe de fato muita confusão.

Vou tentar esclarecer as diferenças neste artigo.

Investidor x Especulador: Os Dois Atores do Mercado

Independente, de qual tipo de análise (fundamentalista, técnica, quantitativa etc) se utilize para selecionar as ações, os principais atores que operam no mercado de ações são:

O Investidor

O investidor entra, dependendo do tamanho do aporte financeiro, ou como sócio controlador ou majoritário; ou como sócio ou acionista minoritário; procurando selecionar empresas que tenham bons fundamentos econômicos.

Essas empresas podem ser blue chips, small caps, ou mesmo empresas pré-operacionais em início de atividade que apresentem grande potencial percebido de crescimento, as chamadas startups.

As aplicações financeiras em ações do investidor é focada sobretudo na administração, desempenho ou (no caso das startups) potencial da empresa e, o ponto de saída/retirada do investimento quando os critérios utilizados para escolha da empresa para que esta fizesse parte da carteira de ações do investidor, já não são mais preenchidos.

O principal objetivo financeiro do investidor é a participação nos lucros e crescimento da empresa, de forma direta ou indireta (através do recebimento de dividendos, por exemplo).

O Especulador

O especulador utiliza operações de Trading, termo em inglês que se refere especificamente à negociações efetuadas nos mercados financeiros.

O especulador opera em qualquer tipo de tamanho de empresa e não está interessado em se tornar sócio da mesma.

As aplicações financeiras em ações do especulador é focada sobretudo nas flutuações de preço (para cima ou para baixo), que ocorrem rotineiramente nas Bolsas de Valores, no curto e médio prazo.  Para o especulador que mais importa é a liquidez e volatilidade de cada ação escolhida.

O principal objetivo financeiro do especulador é ganhar com a diferença de preço da compra e venda, o chamado Ganho de Capital.

Eles buscam consistência em suas operações, tentando vencer a probabilidade ao longo do tempo.

Isto é, eles buscam que a soma de ganhos nas negociações bem sucedidas (mesmo que estas sejam menos frequentes) se mantenha acima da soma das perdas assumidas nas negociações fracassadas (mesmo que estas sejam mais frequentes em relação total de suas negociações).

Investidor x Especulador

Depois de ter definido ambos os atores do mercado, vamos destrinchar melhor suas características.

Veja abaixo a definição segundo Benjamim Graham em seu livro Intelligent Investor sobre investimento e especulação:

Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete a segurança do principal e um retorno adequado. As operações que não atendem a essas condições são especulativas.

Agora pare e leia novamente a frase acima.

Já leu?

Podemos desmembrar essa frase fantástica do Graham para compreender melhor três trechos. Para isso vamos utilizar os termos de outra bíblia sua, o Security Analysis, o livro considerado a bíblia do investimento em valor. Veja só:

  • “análise profunda” significa “o estudo dos fatos à luz de padrões estabelecidos de segurança e valor.”
  • “segurança do principal” significa “proteção contra prejuízo em todas as condições normais ou variações razoavelmente prováveis”
  • “retorno adequado” se refere a “qualquer taxa ou quantidade de retorno, por menor que seja, que o investidor esteja disposto a aceitar, contanto que ele avalie os ativos com inteligência razoável.”

Dito isso, veja os traços principais de diferença entre esses atores:

O investidor tem prazos longos de atuação, medidos em anos: compra uma ação com a intenção de permanecer longo tempo com ela. Seus ganhos ou rendimentos provêm basicamente dos dividendos proporcionados pela ação.

O especulador tem prazos curtos de atuação, medidos em dias ou semanas: compra uma ação com a intenção de se desfazer dela rapidamente, aproveitando sua possível valorização na cotação.

Para o investidor, o fator principal para análise, aplicação, manutenção ou retirada de capital é o valor percebido das empresas no mercado, seja presente ou futuro esperado, sendo o preço um fator secundário e reflexivo, se tanto.

Para o especulador, o preço consensual momentâneo entre os participantes do mercado, é o fator principal, ou (dependendo da metodologia) um dos principais para análise, aplicação, manutenção ou retirada de capital.

O investidor calcula o valor de uma ação com base no valor dos negócios subjacentes a ela relacionados.

O especulador aposta que uma ação vai subir de preço porque alguém pagará ainda mais caro por ela.

Para Graham os investidores julgam “o preço do mercado usando padrões de valor estabelecidos”, enquanto os especuladores “baseiam seus padrões de valor no preço do mercado”.

Um erro muito comum entre a maioria dos participantes do mercado (mesmo entre profissionais, incluindo jornalistas especializados) é não ter estes conceitos básicos assimilados, e consequentemente nem os critérios de entrada, manutenção e saída de um investimento bem definidos.

Assim, é comum que as pessoas em geral confundam frequentemente não apenas uma modalidade de aplicação de capital com a outra, mas também os critérios de cada uma, com consequências financeiras, não raro desastrosas.

A história tem demonstrado que, de maneira geral, as ações de todos os tipos são consideradas especulativas ou arriscadas no momento em que seus preços estão bastante atraentes.

Inversamente, o fato das ações terem atingido patamares indubitavelmente perigosos, transforma-se em “investimentos”, e o público inteiro que comprou ações são chamados de “investidores”.

Ou seja, na baixa do mercado venda tudo. No topo compre tudo.

Não seria por isso que tanta gente se dá tão mal?

A Especulação é algo ruim?

A especulação em si não é ilegal, amoral, nem deixará você rico (para pelo menos mais de 95% das pessoas).

Na verdade, alguma especulação é necessária e inevitável, pois em muitas situações nas bolsas existem chances substanciais tanto de lucros quanto de prejuízos, e os riscos ai presentes precisam ser assumidos por alguém.

A especulação é benéfica por dois motivos principais:

  1. Sem especulação, companhias novas que acabaram de entrar no mercado nunca seriam capazes de obter o capital necessário para se expandir. A probabilidade, pequena, porem atraente, de um ganho grande é o óleo que lubrifica a maquina da inovação.
  2. A especulação traz liquidez ao mercado. Graças a compra e venda constante de ações o mercado é altamente liquido, o que é bom. Essa é a grande diferença do mercado. Imagina você ter que comprar ou vender empresas inteiras e não haverem vendedores ou compradores? Graças aos especuladores é possível operar de forma rápida. Sempre haverão pessoas para especular.

Quero seguir o caminho do Investimento. O que fazer?

O investimento inteligente é um longo caminho a se trilhar.

Você vai precisar entender sobre contabilidade, ler os balanços e demonstrativos das empresas que pretende investir, vai precisar criar uma mentalidade mais racional.

O investidor precisa entender que está em uma jornada de longo prazo. Vai precisar desenvolver uma mentalidade e filosofia adequada para resistir aos péssimos hábitos e vieses que nos levam a cometer diversos erros em nossas tomadas de decisão.

Quero seguir o caminho da Especulação. O que fazer?

Existe especulação inteligente, assim como investimento inteligente. Mas há muito mais maneiras em que a especulação pode ser pouco inteligente. Por exemplo:

  1. Especular achando que está investindo;
  2. Especular seriamente, e não como passatempo, quando você não possui conhecimento apropriado a habilidade para tal; e
  3. Arriscar mais dinheiro na especulação do que você tem condições de perder.

Se for usar alavancagem (conta margem), fazer operações com opções e derivativos então…está acabado. Como já diz Buffet, Derivativos são armas de destruição em massa.”  Eu não aconselho especular. Mas se você quer mesmo fazer isso, NUNCA use Derivativos.

A especulação é sempre fascinante e pode ser muito divertida enquanto você estiver ganhando.

Se você realmente quer testar sua sorte na especulação, separe uma parte – quanto menor, melhor – de seu capital em uma conta especifica separada, apenas para esse propósito.

Nunca acrescente dinheiro a essa conta apenas porque o mercado subiu e os lucros estão jorrando. Na verdade, esse é o momento para pensar em sacar recursos do fundo especulativo.

Atenção: Nunca misture suas operações especulativas com seus investimentos em uma mesma conta, tampouco qualquer parte de seu pensamento.

Até mesmo os especuladores bem sucedidos (mesmo sendo uma atividade MUITO DIFÍCIL) investem seu dinheiro!

Isso mesmo, os ganhos de capital de suas operações não são usados apenas para especular mais.

Eles separam parte do ganho de capital para investir para o longo prazo.

No longo prazo o que vai te deixar rico não são operações especulativas, mas sim o acúmulo de patrimônio em ativos de valor.

Lembre-se: são os juros compostos que te deixam rico!

CONCLUSÕES

Neste artigo foi apresentado a diferença entre investidores e especuladores.

Os investidores buscam obter taxas de retorno sobre capital acima da média ou dos índices referenciais, buscando preservação e aumento do patrimônio e enriquecimento. Os especuladores buscam obter lucro na negociação de compra e venda de papéis no curto prazo.

Os investidores analisam o valor da empresa e seu setor, seus lucros, perspectivas futuras, consistência operacional, qualidade de administração. Os especuladores analisam o preço da ação, sua volatilidade, sua liquidez, valendo-se de ferramentas gráficas, estatísticas, matemáticas, afim de otimizar o timming de compra e venda do ativo.

Tem que ficar claro que não é uma diferença qualitativa; não se trata de afirmar que um é, eticamente, melhor do que o outro. Não se trata disso: a diferença reside essencialmente no horizonte da aplicação e na forma como buscam os ganhos.

A definição entre ambos é importante não só como conceito, mas durante a sua formação de filosofia de investimento.

Muitos investidores entram no mercado com uma mentalidade e ao longo do tempo a perde e passa a realizar operações especulativas.

O inverso também é verdadeiro.

Muitos especuladores, com medo de assumir prejuízos em suas operações (devido a falta de controle de risco), se transformam em investidores de longo prazo e carregam suas operações ad eternum (ou até empatar).

Não preciso nem dizer que não tem como ser bem sucedido dessa forma.

Mesmo eu desaconselhando você a especular, caso o queira, separe uma pequena parte de seu capital e nunca mais do que 10% do seu patrimônio.

Estude bastante, principalmente o seu lado psicológico.

 

Bons investimentos!

 

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