A Teoria Moderna do Portfólio: Em que ela pode ajudar na hora de investir

Teoria Moderna do Portfólio
As oscilações dos ativos, através de medidas de risco e retorno, são a base da Teoria Moderna do Portfólio.

A Teoria Moderna do Portfólio (TMP) é uma teoria sobre como os investidores podem construir carteiras para otimizar ou maximizar o retorno esperado com base em um determinado nível de risco de mercado, enfatizando que o risco é uma parte inerente de maior retorno.

De acordo com a teoria, é possível construir uma “fronteira eficiente” de carteiras ótimas oferecendo o retorno esperado máximo possível para um determinado nível de risco.

História da Alocação de Ativos

Usar estratégias de alocação de ativos como uma forma de gestão de risco não é um conceito novo.

A ideia de “não colocar todos os ovos na mesma cesta” é algo que aprendemos desde crianças e tem sido em ensinada a milhares de anos.

No entanto, o termo alocação de ativos não existia dentro da comunidade de investimento até recentemente.

Mesmo antes do advento dos mercados financeiros modernos, as pessoas entendiam que os ativos deveriam ser divididos entre as diferentes classes, como imóveis, negócios (empresas) e reservas (dinheiro ). Essa concepção de alocação de ativos permaneceu relativamente inalterada até meados do século 20.

Antes de contribuição de Markowitz para alocação de ativos das carteiras, a diversificação era um processo que observava as características de retorno e riscos de ativos de forma individual, independentemente de como os retornos e riscos eram correlacionados um com o outro.

Tudo mudou após a concepção da Teoria Moderna do Portfólio.

A Teoria Moderna do Portfólio

Em 1952, um economista americano chamado Harry Markowitz escreveu um artigo no Journal of Finance intitulado “Portfolio Selection”, no qual ele desenvolveu o primeiro modelo matemático evidenciando redução de volatilidade de uma carteira através da combinação de investimentos com diferentes níveis de risco e retorno.

Este trabalho foi a base para o que viria a se tornar um padrão na gestão de carteiras conhecido como “Teoria Moderno de Portfólio”.

Depois que Markowitz criou modelos matemáticos para a construção de portfólios, suas idéias rapidamente tornaram-se aceitas nos círculos acadêmicos, com notável destaque para William Sharpe, Fischer Black e Robert Litterman.

Uma vasta quantidade de pesquisas foram publicadas, verificando os benefícios da alocação de ativos e rapidamente se tornou popular entre os profissionais da área financeira.

Em 1990, em reconhecimento ao desenvolvimento da teoria, Markowitz foi condecorado com o Prêmio Nobel de Economia, juntamente com William Sharpe e Merton Miller.

Harry Markowitz, criador da Teoria Moderna do Portfolio.
Harry Markowitz, criador da Teoria Moderna do Portfólio.

O conceito de risco e retorno

Antes da Teoria Moderna do Portfólio, a construção de carteiras de investimento analisava o potencial dos ativos de forma individual, sempre em busca daqueles que possuíam maior perspectiva de retorno.

Porém, os ativos com maior potencial de ganho, em geral, eram aqueles de maior risco (como as ações).

Como fazer para obter o máximo de retorno para o grau determinado de risco que estou disposto a correr?

Foi a resposta de Markowitz a essa pergunta que introduziu o conceito de risco-retorno, e formulou a Teoria Moderna do Portfólio, hoje tão comum no mercado.

Esta teoria basicamente propôs que, em vez de julgar risco, olhando para um investimento individual, você precisa olhar para a forma como todos os investimentos trabalham na carteira em conjunto.

A partir do estudo do comportamento das classes de ativos (como ações, fundos imobiliários e títulos públicos), é possível determinar alocações equilibradas com a melhor relação entre cada nível de risco e retorno.

Como se chega nisso?

Com modelos de otimização sofisticados – você também pode chamá-los de “modelos carregados de matemática e estatística”.

Retorno e risco esperado de uma carteira

A Teoria Moderna do Portfólio faz a suposição de que os investidores são avessos ao risco, o que significa que eles preferem uma carteira menos arriscada para um mais arriscada para um dado nível de retorno.

Isto implica que um investidor vai assumir mais risco, apenas, se ele ou ela estiver esperando um maior retorno.

O retorno esperado de uma carteira é calculado como uma soma ponderada dos retornos dos ativos individuais.

Se uma carteira contém quatro ativos igualmente ponderados com os retornos anuais esperados de 4, 6, 10 e 14%, o retorno anual esperado do portfólio seria:

(4% x 25%) + (6 x% 25%) + (10% x 25%) + (14% x 25%) = 8,5%

O risco da carteira é uma função mais complicada, composta pelos diferentes desvios padrões de cada ativo e as correlações entre cada um deles.

Para calcular o risco de uma carteira de quatro ativos, o investidor deve calcular cada uma das variações dos quatro dos ativos e seis valores de correlação, uma vez que existem seis combinações possíveis de dois ativos com quatro ativos.

Por causa das correlações de ativos, o risco total da carteira, ou desvio padrão, é inferior ao que seria calculado por uma soma ponderada.

A Fronteira Eficiente

Cada possível combinação de ativos que existe podem ser plotados em um gráfico, com risco da carteira no eixo X e o retorno esperado no eixo Y.

Todas essas combinações de risco x retorno revela as carteiras mais desejáveis.

Por exemplo, suponha Portfólio A tem um retorno esperado de 8,5% e um desvio padrão de 8%, e que Portfolio B tem um retorno esperado de 8,5% e um desvio padrão de 9,5%.

É possível desenhar uma hipérbole positivamente inclinada para conectar todas as carteiras mais eficientes, e isso é conhecido como a fronteira eficiente.

Investir em qualquer carteira que não esteja sobre esta curva não é desejável.

fronteira eficiente
A fronteira eficiente dá o melhor retorno que pode ser esperado para um dado nível de risco. Pode ser vista como uma curva em um gráfico de risco e retorno previsto de uma carteira.

CONCLUSÕES

Teoria Moderna do Portfólio (TMP) é um modelo matemático de construção de carteiras de investimento que otimiza a alocação dos ativos para obter o melhor retorno possível para um dado nível de risco.

Através do cálculo do risco e retorno espero de uma dada carteira, com base em diferentes combinações de alocação em uma cesta de ativos, é possível construir a chamada fronteira eficiente. As melhores combinações de risco e retorno estarão encima dessa curva.

Essa ferramenta pode ajudar o investidor a construir uma carteira, estudando e simulando as melhores combinações de risco e retorno, de acordo com seu perfil.

Metodologias de investimento baseadas na Teoria Moderna do Portfólio permitem que você invista em uma carteira matematicamente diversificada e equilibrada, calibrada tanto para cenários favoráveis quanto para cenários desfavoráveis da economia.

Lembrando que o uso dessa estratégia não deve ser isolada. O investidor deve sempre procurar investir em ativos de valor, com bons fundamentos e se possível, que estejam sendo negociados com uma boa margem de segurança.

Bons investimentos!

Fontes de consulta
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Modern_portfolio_theory
  • http://www.investopedia.com/terms/m/modernportfoliotheory.asp
  • http://www.zenwealth.com/BusinessFinanceOnline/RR/Portfolios.html
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