Buy and Hold: A melhor estratégia para investir em ações no longo prazo

buy and hold
Fatos comprovam: investir em ações usando a estratégia de Buy and Hold tem trazido melhores retornos do que qualquer outro tipo de investimento.

Buy and Hold significa literalmente “Comprar e Segurar”.

O  Buy and Hold é uma estratégia de investimento onde o investidor compra ações e as segura por um tempo muito longo (ou até mesmo, sem prazo).

Isso significa investir em empresas as quais ele não tenha interesse em vender.

Basicamente a estratégia é acumular participações cada vez mais maiores em bons e lucrativos negócios, independentemente das flutuações do mercado.

Porque alguém investiria usando essa estratégia?

Antes de mais nada, para responder essa pergunta o investidor precisa saber porque uma empresa existe e porque enxergá-la como um ativo gerador de renda.

O que você vai aprender neste artigo:

  • Como descobrir qual meu horizonte de investimento
  • Porque o investidor deveria investir em ações para o longo prazo
  • Os 5 fatos que comprovam a eficácia da estratégia Buy and Hold

Buy and Hold: Investir em excelentes negócios sem prazo de duração

Investir em ações é um projeto, um empreendimento de longo prazo.

Todo investidor em ações deveria enxergar cada ação que compra como pedacinhos de um negócio, uma empresa real e legítima.

Ações são uma importante fonte de financiamento das empresas. Ao invés de se financiar através da emissão de dívidas (capital de terceiros), as companhias vendem participações do capital próprio através da emissão de ações (capital próprio).

Por isso uma empresa abre seu capital, vendendo ações ao mercado e se capitalizando para poder fazer jus a investimentos.

Quais investimentos?

Posso citar destinos típicos do capital investido: expansão, aquisições, compra de máquinas, usinas, fábricas, equipamentos, exploração de petróleo, abertura de lojas, construção de prédios, concessões públicas, etc.

Ou seja, isso vai depender dos objetivos e segmento de atuação da empresa (se ela for do segmento de energia elétrica, investirá em ativos diferentes de uma empresa do ramo alimentício, por exemplo).

Os investimentos feitos por empresas são em ativos geradores de renda que só poderiam ser obtidos através de uma grande capitalização (ou seja dinheiro, muito dinheiro).

Porque uma empresa deveria abrir capital?

Você pode estar se perguntando:

Porque uma empresa abriria capital ao invés de emitir dívidas?

Existem diversas razões, mas o motivo principal é porque é mais barato fazer isso.

Ao invés de emitir dívidas e pagar juros sobre o principal a seus credores, a empresa pode ampliar sua base acionária vendendo ações ao mercado.

Com o dinheiro da venda de ações, a empresa vai poder crescer muito mais.

Porque um investidor compraria ações de uma empresa?

Porque comprar ações de uma empresa e não simplesmente comprar ativos de renda fixa?

Resposta rápida: obter participação nos lucros da empresa.

O objetivo de uma empresa é gerar fluxo de caixa acima do custo de oportunidade, para que o negócio gere lucro e retorno a seus donos (ou acionistas).

Se uma empresa não tivesse como objetivo gerar lucro, porque alguém abriria uma?

Porque alguém investiria capital e recursos em negócios se não pudessem dar lucro ou ao menos superar os juros básicos da economia?

É por esse motivo que um investidor compra participações de negócios no mercado de ações.

Ao comprar ações, o investidor está aplicando seu capital em ativos geradores de renda.

Portanto, a estratégia Buy and Hold envolve se tornar sócio de boas empresas e permanecer sócio enquanto elas forem boas e tiverem boas perspectivas no futuro.

Como fazer isso?

Simplesmente construindo uma carteira diversificada de excelentes empresas, ignorar ruídos de curto prazo, reinvestir os rendimentos e focar no longo prazo.

Mas, antes de falar propriamente do Buy and Hold, é importante o investidor saber separar seus objetivos de curto e longo prazo.

Nós estamos olhando para nossas ações como parte de um negócio, assim como quando possuímos uma fazenda ou um apartamento.

Se você está comprando a fazenda, ou o apartamento certo ou as ações certas, e você não fica tentando adivinhar o que vai acontecer na próxima semana ou no próximo mês, mas segura isso por 5, 10 ou 20 anos, você está no caminho certo.”


Warren Buffet

Objetivos de Curto e Longo Prazo do Investidor

O investimento em renda variável (ações e fundos imobiliários, por exemplo) devem ter foco no longo prazo, se possível não devem nem ter prazo de validade.

O pequeno investidor deve encarar o mercado como uma das formas de capitalizar seu dinheiro.

As ações tem superado a renda fixa no longo prazo, e essa é a principal razão em aplicar seu dinheiro neste mercado.

Mas, todo mundo tem objetivos de curto prazo.

Quando alguém quer investir com foco em algum propósito que não seja construção de patrimônio, esse investidor deve escolher apenas a renda fixa.

A renda fixa, como os títulos públicos, possuem diferentes prazos a depender da aplicação.

As de curto prazo podem variar de 1 a 4 anos.

Se você possui algum objetivo com seu investimento (trocar de carro, comprar imóvel, viagem, faculdade, etc), então você definitivamente NÃO deve investir em ações.

Portanto, o caminho é:

  • Poupar
  • Criar uma reserva de emergência
  • Construir uma carteira de investimentos para o acúmulo de patrimônio
  • Investir periodicamente em ativos de valor
  • Ter foco no longo prazo

Se você planeja não acumular patrimônio, ou se tem um objetivo claro para o seu dinheiro, não invista em ações. Ponto final.

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5 Fatos Sobre a Estratégia Buy and Hold

Jeremy Siegel, em seu livro, Investindo em Ações para o Longo Prazo (tradução de Stocks for The Long Run), argumenta que as ações retornaram uma média de 6,5% a 7% ao ano, após a inflação nos últimos 200 anos (período de 1802 a 2012).

Além disso, dado um período de tempo suficientemente longo, as ações são menos arriscadas do que os títulos, onde o risco é definido como o desvio padrão do retorno anual.

Ficou complicado?

Calma, vou destrinchar melhor 5 pontos cruciais deste livro que comprovam a eficácia do Buy and Hold.

#1 – Ações possuem melhor retorno no longo prazo

Em termos nominais um investimento em ações (carteira representativa do mercado) de US$ 1,00 em 1802, com reinvestimento dos dividendos, teria se transformado em impressionante US$ 704.997,00 no final de 2012.

O mesmo investimento em títulos do governo e ouro teria se transformado em US$ 1.778,00 e US$ 4,52, respectivamente.

O retorno real anual das ações, títulos e ouro, no período de 1802 a 2012, respectivamente, é de 6,6%, 3,6% e 0,7%.

Impressionante, não é?

Ações para Longo Prazo
Retorno anualizado de diversas classes de ativos: ações, títulos, letras financeiras, ouro e dólar. Esse estudo foi feito para o período de 1802 a 2012 usando dados do índice de mercado norte-americano. Fonte: Stocks For The Long Run.

#2 – Ações trazem menor risco no longo prazo

Dado estes resultados impressionantes, pode parecer enigmático por que o período de detenção quase nunca foi considerado nos estudos de Teoria Moderna do Portfólio.

Isso ocorre porque a Teoria Moderna do Portfólio foi estabelecida quando a profissão acadêmica acreditava na teoria do passo aleatório de preços das ações.

Conforme essa teoria, o risco relativo das ações não se alteram para períodos diferentes, atribuições que não dependem do período de detenção.

O período de detenção das ações torna-se uma questão na Teoria Moderna do Portfólio quando os dados revelam a reversão média dos retornos das ações.

O tema básico é simplesmente que os retornos de ações (em todas as nações desenvolvidas, embora em diferentes inclinações) regressem a uma média, enquanto os títulos e todas as outras alternativas de investimento, não.

Tomando a longa visão histórica (desde o alvorecer da república americana), Siegel demonstra que nos EUA por períodos de cinco anos ou mais, os retornos reais das ações (após a inflação) tiveram retorno médio (6,5%) cada vez menores, até que em trinta anos os desvios observados são metade do que as estatísticas padrão esperam.

Confira no gráfico abaixo.

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Risco em relação ao retorno real médio para diversos períodos de investimento, de 1802 até dezembro de 2006 (risco histórico contra o risco baseado na teoria do passeio aleatório). Fonte: Stocks For The Long Run.

Portanto, as ações são muito mais voláteis a curto prazo e muito menos volátil a longo prazo, do que a Teoria Moderna do Portfólio diz que eles deveriam ser.

#3 – Ações protegem contra inflação no longo prazo

A Figura abaixo exibe os melhores e piores retornos reais de ações, títulos e contas a partir de 1802 sobre a períodos de 1 a 30 anos.

Observe como altura das barras mudam dramaticamente. Elas medem a diferença entre os melhores e piores retornos, diminuindo tão rapidamente para as ações comparadas com as de renda fixa quando o período de detenção aumenta.

Durante 1802-2001, o pior retorno de 1 ano para ações e títulos foi de -38,6% e -21,9%, respectivamente.

No entanto, para um período de detenção de 10 anos, o pior desempenho das ações e título foram -4,1% e -5,4%, respectivamente.

Para um período de retenção de 20 anos, as ações sempre foram rentáveis.

Para períodos de 30 anos, o pior desempenho anual das ações permaneceu confortavelmente acima da inflação em 2,6% ao ano, abaixo do retorno médio de 30 anos sobre os ativos de renda fixa.

O fato de que as ações, ao contrário de títulos ou letras, nunca ofereceram aos investidores uma participação real negativa.

Embora possa parecer ser mais arriscado para manter ações do que títulos, exatamente o oposto é verdade: o investimento mais seguro a longo prazo para a preservação do poder de compra tem sido claramente ações, não títulos.

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Retornos reais mais altos e mais baixos das Ações (Stocks), Títulos (Bonds) e Letras (Bills) nos períodos de 1, 2, 5, 10, 20 e 30 anos entre os anos de 1802 a 2012.

#4 – Toda carteira de longo prazo deveria investir em ações

Siegel mostra que a carteira de risco otimamente mais baixa, mesmo para uma participação de um ano, deverá incluir algumas ações.

No gráfico abaixo mostra que uma carteira deverá possuir participações em ações mesmo para períodos relativamente curtos.

Porém, a medida que o período de investimento cresce, aumenta a participação de ações na carteira para se obter a melhor relação risco x retorno.

Para um período de 5 anos, a carteira deverá ter 25% em ações para obter a melhor relação risco x retorno.

Para um período de 10 anos, a carteira deverá ter uma participação de 39% em ações.

Por fim, para um período de 30 anos, a carteira deverá ter 68% em ações para obter a melhor relação risco x retorno.

Isso prova duas coisas:

  1. A Teoria das Carteiras e a Fronteira Eficiente não levam em conta o tempo de investimento em análise de risco x retorno.
  2. Ações trazem o melhor retorno para o menor risco no longo prazo.

Por isso sua participação de ações na carteira deve aumentar a medida que aumenta o prazo de investimento.

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Risco x Retorno: Fronteiras eficientes para diferentes construções de carteiras em Ações e Títulos. Perceba que a medida que o período de investimento aumenta, a participação de ações na carteira cresce progressivamente. Fonte: Stocks For The Long Run.

#5 – Buy and Hold se beneficia do Investimento em Valor

O livro demonstra que o investimento em valor tem historicamente desempenho superior aos principais índices de mercado.

Siegel demonstra que as estratégias de valor superam consistentemente os índices de mercado em 2% ou mais nos retornos compostos anuais.

Critérios como P/L, taxa de dividendos, índice preço/valor contábil e baixa capitalização são fundamentais para obter retorno superior.

Além disso, Siegel demonstra que o investimento em ações de crescimento e no IPO (Oferta Pública Inicial), em geral, no longo prazo, tendem a apresentar mau desempenho em relação aos índices oficiais de mercado (S&P 500 e Dow Jones).

Ben Graham, com certeza, defendia o investimento em valor décadas atrás, e faz um melhor trabalho de compreensão e apresentação do processo do que qualquer outro antes ou depois.

Porém, é claro que ele não poderia chegar perto da amplitude e profundidade que temos hoje nos mercados financeiros e o poder de computação para sustentar seu argumento.

Siegel escreveu o único livro desde o Investidor Inteligente, de Benjamim Graham.

Todos deveriam ler e reler antes de presumir comprar qualquer outra garantia além de um fundo de índice.

Buy and Hold e Análise Fundamentalista

O Buy and Hold é uma estratégia de investimento de longo prazo. Se o mercado caiu no curto prazo, isso é um resultado aceitável. A tendência mais longa deve ser positiva.

O Buy and Hold não é completamente passivo, porque a menos que o investidor esteja comprando ações de um fundo de índice, ele  deve selecionar ativamente os ativos nos quais investir.

Devido a isso investidores comumente baseiam suas decisões de compra e venda com base na análise fundamentalista da empresa, avaliando seus demonstrativos financeiros, a estratégia de crescimento da empresa no longo prazo, a qualidade dos seus produtos, ou as relações da empresa com a gestão, etc.

Ainda não está convencido?

Encontrar as verdadeiras grandes empresas, e ficar com elas por todas as flutuações do turbilhão que é o mercado, mostrou ser mais lucrativo para mais pessoas que a prática pitoresca de tentar comprá-las barato e vende-las caro.”


Philip Fisher

CONCLUSÕES

Investir pode ser complicado, então você precisa pensar muito e decidir qual estratégia de investimento você quer seguir para minimizar o risco envolvido.

Existem dados de mercado que comprovam que investir no mercado de ações para o longo prazo você pode obter melhores retornos do que qualquer outro investimento.

No entanto, as flutuações de curto prazo, os ciclos econômicos, a inflação e as respostas à nova legislação não influenciam o investidor Buy and Hold.

Em seu livro, Investindo em Ações no Longo Prazo, Jeremy Siegel constatou diversas fatos sobre o Buy and Hold, dentre eles:

  • As ações tiveram o melhor retorno durante 200 anos (superando todos os outros investimentos).
  • As ações são mais voláteis no curto prazo, porem menos voláteis no longo prazo (medidas pelo desvio padrão)
  • O investimento em valor aliado ao longo prazo tem trazido os melhores retornos em ações
  • Investir em ações de crescimento ou na moda tem trazido menos retorno do que as ações compradas de acordo com o investimento em valor
  • Investir em IPO’s, na maioria das vezes tem trazido menos retorno

Para investir no longo prazo  tudo que você tem a fazer é fazer montar uma carteira diversificada de ativos, realizar suas próprias análises e escolher as ações certas para comprar.

Saber como analisar uma empresa, comprar valor ao invés de preço, saber controlar suas emoções é tudo que você precisa para ser bem sucedido como investidor de longo prazo.

 

E você, o que acha da estratégia de Buy and Hold?

Deixe seus comentários!

 

Bons investimentos!

 

Fontes de consulta

  • Stocks For The Long Run, 5ª ed, 2014 – por Jeremy Siegel
  • http://www.igga.com/education/buy-and-hold-vs-timing-the-market-which-one-is-better/
  • http://awealthofcommonsense.com/2014/07/buy-hold-impossible/
  • https://www.quora.com/Will-an-invest-and-forget-strategy-work-in-the-long-run-Why-or-Why-not
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