6 Categorias de Empresas Segundo Peter Lynch

Categorais de Empresas Segundo Peter Lynch
Peter Lynch, o gestor n.1 de ações nos Estados Unidos.

No livro “O Jeito Peter Lynch de Investir”, tradução do original “One Up On Wall Street, um dos maiores gestores de fundos dos EUA aborda diversos conceitos simples (e poderosos) sobre como escolher ações de empresas vencedoras.

Um desses conceitos é o seu critério de classificação de empresas e como isso pode auxiliar os investidores a selecionar as ações que farão parte de sua carteira de investimentos.

Baseado neste livro, trago um resumo sobre os 6 tipos de empresas que Lynch classifica em suas análises.

Eu particularmente gosto desse critério de classificação, pois ajuda na hora de montar sua carteira de ações.

Sobre Peter Lynch

Durante 13 anos (entre 1977 e 1990) foi responsável pela administração do fundo de ações mais rentável do mundo no período, o Fidelity Magellan Fund.

O Magellan valorizou incríveis 2900%, saltando de um patrimônio de U$ 20 milhões para U$ 14 bilhões, com mais de 1 milhão de cotistas. A Fidelity tornou-se a maior empresa de administração de fundos dos EUA, com mais de 250 fundos.

#1 – Empresas de Crescimento Lento

Cedo ou tarde qualquer setor de economia de alta crescimento popular se torna um setor de crescimento lento.

É muito fácil visualizar uma ação de crescimento lento. O gráfico parece um mapa topográfico sem montanhas.

Outro sinal definitivo de um crescimento lento é o de que essa ação realiza pagamentos de dividendos regular e generosos.

Neste sentido, podemos dizer que as empresas focadas em dividendos são empresas de crescimento lento.

Normalmente essas empresas fazem isso quando não conseguem imaginar novas formas de usar o dinheiro para expandir o negócio, preferindo distribuir o dinheiro em caixa para seus acionistas.

Exemplos: Empresas do setor elétrico, tais como Eletropaulo, Eletrobrás e a AES Tietê que por estarem com todo seu sistema de malha elétrica desenvolvido termina não tendo como crescer mais. Elas então distribuem a maioria do seu dinheiro em caixa para seus acionistas.

Se você pensa em comprar empresas desse tipo:

  • Verifique se os dividendos sempre foram pagos e qual o seu Dividend yield médio dos últimos 3 a 5 anos. Veja se eles oscilam muito ou são estáveis.
  • Verifique se os dividendos são rotineiramente aumentados ao longo dos anos. É importante que as empresas de crescimento lento que fazem parte da carteira do investidor aumentem seus valores ao longo dos anos.
  • Verifique qual a porcentagem dos lucros é paga como dividendos, o chamado Pay-Out. Avalie-o nos últimos 3 a 5 anos. Veja se ele oscila muito ou é estável.
  • Caso o Pay-Out seja baixo, então, a empresa possui uma proteção para momentos difíceis ou simplesmente visa crescer ao mesmo empo em que distribui rendimentos.
  • Se o Pay-out for uma porcentagem muito alta, o dividendo pode ser arriscado. Procure saber porque a empresa costuma fazer isso e se ela está queimando caixa excessivamente.

#2 – Empresas Confiáveis

Empresas Confiáveis

São gigantes multibilionárias que não possuem crescimentos lentos, como a da anterior, mas também não decolarão como as empresas de crescimento rápido.

São as famosas Blue Chips. São empresas com negócios bem administrados e posicionamento relevante no mercado. Normalmente são muito grandes e detém alto marketshare.

Lynch diz que sempre mantém ações confiáveis em carteira, pois oferecem ótima proteção durante períodos de recessão e depressão econômica. Ele normalmente investe em empresas confiáveis para obter ganhos de 30% a 50% para posteriormente vendê-las e repetir o processo com ações similares.

Se você pensa em comprar empresas confiáveis, as questões fundamentais são:

  • Estas são as grandes empresas que provavelmente não abandonarão os negócios. Basta saber se você estará pagando um preço alto ou baixo (precificação).
  • Analise as possíveis “piorizações” que podem reduzir os lucros no futuro.
  • Verifique a taxa de crescimento de longo prazo da empresa e se ela manteve o mesmo impulso nos últimos anos
  • Se você planeja manter a ação para sempre, veja como a empresa se saiu durante as últimas recessões e quedas do mercado

#3 – Empresas de Crescimento Rápido

Empresas de Crescimento RápidoSão novos empreendimentos, pequenos e agressivos, que crescem 20% a 25% ao ano. São os tipos de empresas (negócios) que Lynch mais gosta, pois segundo ele essas ações tem grande chance de se tornarem tenbaggers (multiplicar por 10) e fortybagger (multiplicar por 40).

Essas empresas não necessariamente devem pertencer a setores em rápida expansão. Esses empreendimentos iniciantes aprenderam a ser bem-sucedidos em um local e, então, duplicar a sua fórmula vencedora diversas vezes, centro de compras após centro de compras, cidade após cidade. A expansão em novos mercados resulta em um fenomenal aceleração dos ganhos, os quais elevam os preços das ações a níveis altíssimos.

Logicamente há muito risco em ações de rápido crescimento, especialmente entre empresas jovens que tendem a ser entusiasmadas e mal financiadas.

Enquanto empresas de crescimento rápido correm o risco de extinção, as maiores enfrentam a possibilidade de desvalorização acelerada quando começam a falhar.

Enquanto forem capazes de manter o ritmo, as empresas de rápido crescimento serão os grandes vencedores do mercado de ações. Lynch procura aquelas que possuem bons balanços contábeis e que estejam obtendo lucros substanciais.

Se pretende investir em empresas de crescimento, atente para os seguintes pontos:

  • Investigue se o produto que supostamente enriqueceria a empresa corresponde a uma grande parte de seu negócio
  • Analise a taxa de crescimento dos lucros nos últimos anos (de preferência acima de 20%, mas desconfio se for alto demais).
  • Verifique se a empresa está se expandindo para outras cidades e estados.
  • Veja se a empresa ainda possui espaço para crescer
  • Verifique se a ação é vendida com P/L próximo a sua taxa de crescimento.
  • Analise se a velocidade de expansão aumenta ou diminui.

#4 – Empresas Cíclicas

Empresas CíclicasSão empresas cujo as vendas e lucros aumentam e diminuem de maneira regular ou completamente previsível. Em um setor em crescimento os negócios continuam em expansão, mas no setor cíclico, eles expandem e se contraem repetidas vezes.

As empresas cíclicas são as mais incompreendidas entre todos os tipos de ações. Ações de empresas cíclicas flutuam abruptamente, à medida que a empresa alternadamente perde bilhões em recessões e ganha bilhões em períodos de prosperidade.

O autor dá exemplos de empresas de automóveis, aéreas, de pneus, de aço e químicas. Ao sair de um período de recessão em direção a uma economia vigorosa, as empresas cíclicas florescem, e os preços de suas ações tendem a subir muito mais rápido que das empresas confiáveis.

Segundo Lynch, isso é compreensível pois as pessoas compram carros novos, fazem mais viagem aéreas, além de haver mais demanda por aço e produtos químicos.

O autor alerta que uma ação confiável (blue chip) pode perder 50% de seu valor de mercado em um período de recessão, uma ação de empresa cíclica pode perder 80%.

Por fim, Lynch alerta que para investir em ações cíclicas você deve ser capaz de detectar os primeiros sinais de que o negócio está perdendo ou ganhando ritmo.

Como Lynch acredita que os melhores analistas das ações são aquelas que trabalham no setor da empresa.

Isso significa que se o investidor trabalha em alguma profissão que está ligada a setores de aço, alumínio, empresas aéreas e automóveis, etc, você possui uma chance de detectar a melhora na empresa de modo a investir em papeis desse tipo de empresa.

Exemplos:

  • Empresas do setor metalúrgico, como CSN, Usiminas e Gerdau, que exportam grande parte de seus produtos para o exterior e cujo o preço das commodities metálicas influenciam a oferta e demanda
  • Empresas de mineração, como a Vale, que depende essencialmente do mercado externo e tem seus preços atrelados a commodity minério de ferro.
  • Empresas de construção civil, como Cyrela, MRV e Eztec, cujo o setor é altamente afetado pelas taxas de juros e nível de consumo das famílias

Os ciclos a que ele se refere são os ciclos de retração, acomodação e expansão da economia e como grande parte das cíclicas atuam na venda de commodities ou bens industriais.

Esses setores são intimamente ligados ao crescimento da economia e tem que ser extremamente, intensivas em capital para se manterem operando, aí está o risco delas.

É da natureza delas e quem gostar e quiser a adicionar essa categoria em sua carteira deve estar bem ciente disso. É só uma forma de se entender melhor as empresas em estudo.

Outro exemplo são os ciclos no setor automobilístico. Fatalmente, haverá 3 ou 4 anos de alta, que serão seguidos por 3 ou 4 anos de baixa. Isso sempre ocorre. Os veículos envelhecem e precisam ser substituídos. As pessoas podem adiar a reposição de veículos por 1 ou 2 anos além do esperado, mas, cedo ou tarde, voltarão às concessionárias. Lynch atenta que, quanto pior for o colapso da indústria automobilística, melhor será sua recuperação.

Se você pensa em adquirir empresas cíclicas:

  • Concentre-se nas condições do negócio, estoques e preços
  • Mantenha uma intensa vigilância sobre todos os estoques e o relacionamento entre oferta e demanda.
  • Esteja atento aos novos concorrentes de mercado, o que geralmente é um evento perigoso.
  • Antecipe uma relação P/L decrescente ao longo do tempo, à medida que os negócios se recuperam e os investidores miram na direção do fim do ciclo, quando os lucros máximos são atingidos.
  • Caso conheça a sua empresa cíclica, você tem uma vantagem, ao tentar identificar os ciclos.

#5 – Empresas em Recuperação

Empresas em RecuperaçãoSão empresas que passaram por problemas financeiros sérios, a ponto de quase falirem e agora estão no ponto de virada. São as chamadas turn-around.

Não são ações de crescimento lento, porque não crescem e não são cíclicas. São empresas que estavam com problemas financeiros sérios e que agora começam a reagir.

O grande sucesso ocasional transforma as ações em recuperação em um negócio muito empolgante e , de modo geral, também extremamente recompensador.

Exemplos: No mercado brasileiro temos um exemplo recente, a Hering, que em 2008 começou a recuperar sua saúde financeira, dando um salto no faturamento e nos lucros.

Se você pensa em investir em empresas de recuperação, você deve analisar os seguintes pontos:

  • A empresa propôs uma forma de melhorar a sua sorte e estaria o plano funcionando até agora?
  • Se já está em processo de falência, o que resta para seus acionistas?
  • Como a empresa supostamente se recuperará?
  • Ela livrou-se de dívidas não lucrativas?
  • Os negócios estão em recuperação?
  • Os custos estão sendo cortados? Em caso afirmativo, qual será esse efeito?

#6 – Empresas com Ativos Ocultos

Empresas Ativos Ocultos

São empresas que possui algum ativo valioso sobre o qual você tenha conhecimento, mas é ignorado pelo mercado. As ações com ativos ativos ocultos são aquelas em que o diferencial local pode ser utilizado com a melhor vantagem possível.

Os ativos ocultos podem ser simples ou podem ser uma montanha de dinheiro. Muitas vezes são imóveis ou propriedades de grande valor, tais como pedreiras, terras, galpões, usinas abandonadas, etc.

Além desses ativos imobilizados, também os intangíveis, tais como marcas, patentes, etc.

As oportunidades de ativos ocultos estão em todos os lugares. Elas certamente exigem um conhecimento prático em relação a empresa que tem os ativos, mas, uma vez que isso é compreendido, tudo que você precisa é paciência.

Exemplos: Diversas marcas, patentes, concessões difíceis de mensurar.

Perguntas que devem ser feitas ao se analisar esse tipo de empresa:

  • Qual é o valor dos ativos?
  • Trata-se de ativos ocultos?
  • Qual o valor das dívidas que deve ser deduzido desses ativos? (Os credores são os primeiros da fila)
  • A empresa está adquirindo novas dívidas, tornando os ativos menos valiosos?
  • Há algum grande investidor atento que pode ajudar os acionistas a colherem os benefícios dos ativos?

CONCLUSÕES

Vimos nesse artigo que Peter Lynch possui um classificação própria que o orienta na formação de sua carteira de investimentos. São elas:

  1. Empresas de Crescimento Lento
  2. Empresas Confiáveis
  3. Empresas de Crescimento Rápido
  4. Empresas Cíclicas
  5. Empresas em Recuperação
  6. Empresas com Ativos Ocultos

O investidor pode utilizar esses conceitos para  analisar e montar sua carteira de ações.

É desejável que diversifique entre essas categorias, pelo menos em 3 tipos, além da diversificação em setores diferentes.

A alocação de ativos e diversificação são estratégias essenciais para o acúmulo de riqueza no longo prazo.

Bons investimentos!

Fontes de consulta

  • One Up to Wall Street (título traduzido para “O Jeito Peter Lynch de Investir”)
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