
Investir em ações é comparável a resolver um quebra-cabeça complexo, mesmo com uma vasta quantidade de dados disponíveis online. Os indicadores fundamentalistas servem como uma bússola confiável para orientá-lo neste universo desafiador.
Com tantas siglas e números voando por aí, você pode se perguntar: “Por onde começar?”.
No mundo movimentado dos investimentos, ter um domínio básico da análise fundamentalista é como ter uma bússola confiável em uma aventura desconhecida.
Os indicadores fundamentalistas são como pequenas janelas para o mundo interior das empresas. Eles revelam coisas como saúde financeira, capacidade de competir e até mesmo previsões de lucro futuro. E claro, são essenciais para qualquer investidor que queira apostar suas fichas no mercado de ações.
Portanto, se você está procurando saber onde investir seu suado dinheiro, fique atento a estes 13 indicadores que podem te dar uma visão privilegiada sobre o potencial das empresas.
1 – Índice Preço/Lucro (P/L)
Dentre os indicadores fundamentalistas e múltiplos de mercado, este é o mais famoso.
O PL indica quantos anos de lucros você está pagando por uma ação. Para calcular o PL (ou P/L), divida o preço das ações pelo lucro por ação (LPA).
P/L = Preço da Ação / Lucro por Ação
Observe que o número de lucros usado com mais frequência no cálculo é o lucro por ação total dos últimos quatro trimestres relatados. Você também pode usar lucros “a prazo”, que são a média das previsões de Wall Street para o ano fiscal atual.
Digamos que a empresa tenha um preço de ação de R$ 50 e um LPA de R$ 5. Usando a fórmula, P/L = R$50 / R$5, obtemos uma relação PL de 10. Isso significa que os investidores estão dispostos a pagar 10 vezes os ganhos por cada ação, o que pode ser considerado razoável ou alto, dependendo dos padrões do setor.
Todas as coisas iguais, quanto menor o PL, melhor.
Um bom índice de PL varia de acordo com o setor e o clima de investimento. É uma medida comparativa e você precisa de contexto para determinar se um PL é bom ou ruim.
Aqui está um exemplo. Para o mercado americano como um todo, o S&P 500 é atualmente negociado por cerca de 23 vezes os lucros reportados nos últimos 12 meses. O PL médio do índice desde 1935 é inferior a 16. Compare esses dois números e a implicação é que o mercado atual é um pouco caro.
As indústrias caracterizadas por lucros voláteis tendem a negociar com múltiplos de PL baixos. Por que? Porque os investidores ficam cautelosos quando os lucros podem cair rapidamente. As construtoras residenciais e os produtores de commodities caem neste grupo.
As empresas em rápido crescimento têm frequentemente PL elevados, pela razão oposta. Os investidores estão mais dispostos a pagar um prémio quando esperam fortes lucros futuros. Tesla e Paypal são dois exemplos, com PL múltiplos de 50 e 36, respectivamente.
Para avaliar o índice PL de uma ação individual, compare-o com o dos concorrentes.
Você também deve comparar o PL atual de uma ação com seu múltiplo médio dos últimos três, cinco ou 10 anos. Se o índice atual for inferior à média, você pode ter percebido uma pechincha, presumindo que a empresa tenha potencial de crescimento.
- Por que importa: um PL alto geralmente sugere que o mercado tem grandes esperanças para o crescimento futuro de uma empresa. Um PL baixo pode significar que o mercado está subvalorizando as ações da empresa – ou que a empresa está com problemas.
- Como usar: compare os índices PL de empresas dentro do mesmo setor para ter uma noção do que é considerado “normal”.
- Dica: não confie apenas no PL. É apenas uma peça do quebra-cabeça.
2 – Índice Preço-Lucro-Crescimento (PEG)
O índice PEG, outra invenção de Benjamin Graham, tenta medir o desconto ou prêmio que se paga pelo crescimento. Para calcular o PEG, divida o índice PL pela taxa de crescimento anualizada esperada dos lucros por ação:
PEG = PL / g
Onde:
g = Crescimento do LPA
Você pode usar prazos diferentes para a taxa de crescimento esperada, mas quanto mais tempo, melhor. Se você tiver uma boa taxa de crescimento estimada para os próximos cinco anos, use-a.
Um índice PEG inferior a 1 sugere que a empresa está subvalorizada.
A desvantagem do índice PEG é que as taxas de crescimento futuras são notoriamente difíceis de prever. Os perfis de crescimento das empresas podem mudar, por vezes drasticamente.
Apple é um exemplo. O índice PEG da fabricante do iPhone com base no crescimento esperado de cinco anos é de 2,85. O mesmo índice usando uma perspectiva de um ano, entretanto, é de 2,31. E se você usar os 12 meses anteriores para calcular o PEG, o índice cai para território negativo em -13,65%.
- Porque isso importa: O PEG mede o desconto ou prêmio que se paga pelo crescimento futuro dos lucros. Um PEG mais baixo pode sugerir que a empresa está subvalorizada em relação ao seu potencial de crescimento.
- Como usar: Um PEG inferior a 1 pode indicar que a empresa está subvalorizada em relação ao seu potencial de crescimento.
- Dica: Uma desvantagem do PEG é a dificuldade em prever as taxas de crescimento futuras de forma precisa. Os perfis de crescimento das empresas podem mudar, o que pode afetar significativamente o valor do PEG. Portanto, é importante considerar várias perspectivas e prazos ao utilizar o PEG para análise de investimentos.
3 – Índice Preço/Vendas (PSR)
A relação preço-vendas (do inglês Price Sales-Ratio, ou PSR) )divide a capitalização de mercado de uma ação pelo total de vendas nos últimos 12 meses.
PSR = Preço da Ação / Receita Líquida por Ação
Essa métrica foi popularizada pelo gerente de investimentos e colunista de longa data da Forbes, Ken Fisher. Ele informa quanto você está pagando por cada dólar em vendas anuais.
Se a empresa tiver uma capitalização de mercado de R$ 1 bilhão e vendas totais de R$ 200 milhões, a relação P/S seria de R$ 1.000.000.000 / R$ 200.000.000 = 5. Isso sugere que você está pagando 5 vezes as vendas por cada ação.
O múltiplo preço-venda pode ser um melhor indicador do valor relativo de uma empresa do que o PE por dois motivos. Primeiro, há momentos em que as empresas cíclicas não têm lucros. E dois, as vendas são mais difíceis de manipular do que os lucros.
Como outros índices, você deve comparar o PS de uma ação com os concorrentes e com múltiplos históricos de vendas. Saiba que um índice PS baixo pode ser prejudicado por uma falta contínua de rentabilidade e/ou grandes saldos de dívidas.
- Por que isso importa: um índice P/S baixo pode significar que a ação está subvalorizada, enquanto um P/S alto pode indicar supervalorização.
- Como usar: Use o P/L para comparar empresas do mesmo setor, especialmente quando o crescimento dos lucros passados ou futuros é negativo e o P/L não pode ser calculado.
- Dica: P/S é menos manipulável do que outras proporções, tornando-se um indicador mais confiável.
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4 – Índice Preço/Fluxo de Caixa (PCF)
Para calcular o PCF (do inglês, Price to Cash Flow) , divida o preço das ações pelo seu fluxo de caixa operacional nos 12 meses anteriores.
PCF = Preço da Ação / Fluxo de Caixa Operacional por Ação
O PCF pode fornecer uma comparação mais direta do que o P/L. Isso ocorre porque o fluxo de caixa não inclui despesas não monetárias, como amortização e depreciação. A exclusão destes itens elimina quaisquer diferenças na forma como as empresas depreciam os seus ativos.
Razões de PCF mais baixas são preferíveis.
Observe que o índice PCF utiliza apenas o fluxo de caixa operacional, o que significa que ignora o desempenho do fluxo de caixa de uma empresa proveniente de atividades de financiamento e investimento.
- Porque importa: O PCF é uma métrica importante porque oferece uma visão direta da relação entre o preço da ação e o fluxo de caixa operacional por ação. Isso permite aos investidores avaliar se o preço atual da ação está em linha com a geração de caixa da empresa.
- Como usar: Utilize o PCF para avaliar empresas dentro do mesmo setor. Uma leitura mais baixa indica que a ação pode estar subvalorizada em relação à sua geração de caixa operacional.
- Dica: As razões de PCF mais baixas são geralmente preferíveis, pois indicam que os investidores estão pagando menos pelo fluxo de caixa operacional da empresa em relação ao preço da ação.
5 – Índice Preço/Valor Patrimonial (P/VP)
O P/VP descreve quanto você está pagando por cada dólar de ativos de propriedade da empresa.
P/VP = Preço da Ação / Valor Patrimonial por Ação
A ideia é aproximar o dinheiro que sobrou caso o negócio fechasse e vendesse tudo. Tal como acontece com a maioria das métricas múltiplas de preços, você deve comparar o preço contábil atual de uma ação com suas médias históricas.
Digamos que a empresa tenha um preço de mercado por ação de R$ 50 e um valor contábil por ação de R$ 25. Usando a fórmula, P/VP = $50 / $25, obtemos uma relação P/VP de 2. Isso sugere que você está pagando o dobro do valor contábil por cada ação, o que pode ser razoável ou alto, dependendo das normas do setor.
Ao comparar duas empresas diferentes, P/VP é mais adequado para empresas com muitos ativos. A métrica é menos reveladora para empresas de serviços ou empresas sem ativos fixos substanciais. Por exemplo, a United States Steel é negociada por 0,52 vezes o valor do patrimônio líquido, enquanto a Apple obtém um múltiplo astronômico de 45,6 vezes o valor do patrimônio líquido.
- Por que importa: um P/VP baixo pode indicar que a ação está subvalorizada, enquanto um P/VP alto pode significar que ela está supervalorizada.
- Como usar: Assim como o P/L, é melhor comparar as relações P/VP dentro do mesmo setor.
- Dica: um P/VP abaixo de 1 pode ser uma pechincha, mas sempre se aprofunde.
6 – Índice Dívida/Patrimônio Líquido (D/E)
O índice dívida em relação ao patrimônio líquido informa qual porcentagem dos ativos de uma empresa é financiada com dívidas. Pode ser calculada como:
D/E = Dívida Total / Patrimônio Líquido Total
Digamos que a empresa tenha uma dívida total de R$ 500.000 e patrimônio líquido total de R$ 1.000.000. Usando a fórmula, D/E = $500,000 / $1,000,000, obtemos uma relação D/E de 0,5. Isso sugere que a empresa A é relativamente estável e não depende excessivamente da dívida.
Uma percentagem mais baixa é melhor, porque a dívida elevada pode tornar-se problemática numa recessão. A dívida corta nos dois sentidos, no entanto. Em tempos de expansão, uma empresa pode aumentar os lucros contraindo mais dívidas.
Indústrias fortemente estabelecidas, como os serviços públicos e industriais, geralmente têm indicadores de endividamento mais elevados do que as empresas em rápido crescimento.
No mercado americano, a Caterpillar, por exemplo, tem uma relação dívida-capital de 1,37, enquanto o GOOG da empresa-mãe do Google, Alphabet, é de 0,05. As melhores comparações são dentro dos setores e em relação aos índices históricos de uma empresa.
- Por que isso importa: um alto índice D/E pode sinalizar que uma empresa está super alavancada, o que pode torná-la vulnerável durante crises econômicas. Por outro lado, um baixo índice D/E pode indicar uma posição financeira mais estável.
- Como usar: use D/E em conjunto com outras métricas para avaliar o perfil de risco de uma empresa.
- Dica: as normas do setor variam, então sempre compare as relações D/E dentro do mesmo setor.
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7 – Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE)
O ROE mede a eficiência de uma empresa na geração de lucros com o dinheiro investido na empresa.
ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido
A Imagine Company tem lucro líquido de R$ 10 milhões e patrimônio líquido de R$ 50 milhões. Usando a fórmula, ROE = R$ 10,000,000 / R$ 50,000,000, obtemos um ROE de 0,2 ou 20%. Isso sugere que a Empresa K está efetivamente usando seu patrimônio para gerar um retorno de 20%, tornando-se uma opção de investimento atraente.
O ROE é útil para medir a eficácia da gestão. A desvantagem é que não é instrutivo para empresas jovens que não são lucrativas. Uber por exemplo, tem ROE de -44%.
Um ROE mais alto é melhor. Uma ação com um ROE mais elevado produz mais lucro por cada $1 de capital próprio no seu balanço.
O ROE lhe dá um instantâneo de quão efetivamente uma empresa está usando seu patrimônio para gerar lucros. É a medida definitiva de retorno para o seu dinheiro.
- Por que importa: Um ROE alto significa que a empresa está gerando um bom retorno sobre o dinheiro investido nela. Isso é sinal de um modelo de negócio bem administrado.
- Como usar: Procure empresas com ROE consistentemente alto ao longo de vários anos. É um bom indicador de crescimento sustentável dos lucros projetados.
- Dica: o ROE pode ser inflado por dívida, então sempre cruze-o com a relação D/E.
8 – Retorno sobre os Ativos (ROA)
O ROA é outra medida de eficácia da gestão. É calculado como:
ROA = Lucro líquido / Ativo total
Ao dividir o lucro líquido pelos ativos totais, obtemos uma medida de quanto lucro a empresa está gerando para cada unidade de ativo que possui. Isso permite avaliar a eficiência da empresa em utilizar seus recursos para gerar lucro.
Um ROA mais elevado mostra que a empresa pode aumentar os lucros de forma mais eficiente a partir de uma determinada base de ativos. Por outro lado, as empresas com um ROA comparativamente baixo necessitarão de contrair empréstimos ou obter capital próprio para obter o mesmo lucro.
O ROA é mais útil para comparações intra-indústria.
A tendência ao longo de um período plurianual pode ser mais instrutiva do que o ROA para um único ano ou trimestre.
- Porque isso importa: O ROA é uma medida crucial da eficácia da gestão, revelando a capacidade da empresa de gerar lucros a partir de seus ativos totais. Um ROA mais elevado sugere uma gestão mais eficiente na geração de lucros com os ativos disponíveis.
- Como usar: O ROA proporciona uma visão clara de quanto lucro a empresa está gerando em relação aos seus ativos. O ROA é especialmente útil para comparações dentro da mesma indústria.
- Dica: Um ROA mais alto é geralmente preferível, pois indica que a empresa está gerando mais lucro com seus ativos. Analise tendência do ROA ao longo de vários períodos para entender melhor a eficácia da gestão ao longo do tempo. Compare o ROA com empresas concorrentes na mesma indústria.
9 – Margens de Lucro
O aumento das vendas é ótimo, desde que não seja à custa do lucro.
Margem de Lucro = Lucro (Bruto/Operacional/Líquido) / Receita Líquida
A margem de lucro, apresentada em nossa seção de análise da demonstração de resultados, mostra quanto uma empresa ganha com cada real de vendas. Para determinar a margem de lucro, divida os lucros da empresa pelas vendas.
Digamos que a empresa tenha uma receita operacional de R$ 300.000 e vendas líquidas de R$ 1.000.000. Usando a fórmula, Margem Operacional = $300.000 / $1.000.000, obtemos uma Margem Operacional de 0,3 ou 30%. Isso significa que 30 centavos de cada dólar ganho é lucro operacional.
Como lembrete, o número obtido depende de qual número de lucro você usa no cálculo:
- O lucro bruto, que são as vendas menos o custo das vendas, é a medida mais simples.
- O lucro operacional é o lucro bruto menos despesas gerais. Esta é a melhor medida de lucratividade das atividades comerciais em andamento.
- O lucro líquido é o que sobra após o pagamento dos impostos.
As margens variam amplamente de acordo com o setor. Tendem a ser mais elevados entre os fabricantes e a diminuir na cadeia de valor até aos grossistas e retalhistas.
O declínio das margens ao longo do tempo significa uma diminuição dos lucros, a menos que a empresa consiga compensar a queda da margem com o aumento das receitas.
- Por que importa: uma margem maior indica uma empresa mais lucrativa e eficiente.
- Como usar: compare as margens entre empresas do mesmo setor para avaliar a eficiência.
- Dica: uma margem flutuante pode sinalizar gerenciamento inconsistente ou custos voláteis.
Para melhor entendimento, confira:
10 – Dividend Yield (Dy)
O índice de distribuição de dividendos é a porcentagem dos lucros da empresa que é distribuída como dividendos aos seus acionistas.
Dy = Dividendos Anuais por Ação / Preço da Ação
O dividend yield revela o quão sustentável é o dividendo da empresa.
Se a Empresa D paga um dividendo anual de R$ 4 por ação e a ação está atualmente precificada em R$ 100, a relação de Dividend Yield seria de R$ 4 / R$ 100 = 0,04 ou 4%. Isso significa que você ganharia um retorno de 4% sobre seu investimento apenas por meio de dividendos.
Os índices de pagamento variam de acordo com o setor e o modelo de negócios, mas geralmente você deseja ver esse número abaixo de 80%. Mais do que isso, a empresa corre o risco de ter de reduzir os seus dividendos durante uma recessão. E uma redução severa dos dividendos é geralmente seguida por uma queda no preço das ações.
Os fundos imobiliários, diferentes das ações, por lei, devem distribuir 95% de seus lucros tributáveis aos cotistas. Portanto, eles rotineiramente têm taxas de pagamento muito altas. Semelhante aos FIIs, os REITs, fundos imobiliários no mercado americano, devem distribuir 90% de seus lucros.
- Por que importa: um índice de Dividend Yield mais alto pode fornecer um fluxo de renda estável.
- Como usar: Procure empresas com um histórico consistente de pagamento de dividendos.
- Dica: um rendimento muito alto pode ser um sinal de alerta; a empresa pode estar com problemas.
11 – Fluxo de Caixa Livre (FCL)
O Fluxo de Caixa Livre (FCL) informa quanto caixa uma empresa gera depois de contabilizar as despesas de capital. É o dinheiro que sobra para os investidores.
FCL = Fluxo de Caixa Operacional – Capex
Se a empresa tiver um fluxo de caixa operacional de R$ 500.000 e Capex de R$ 200.000, o FCL será de R$ 500.000 – R$ 200.000 = R$ 300.000. Isso sugere que a empresa tem reservas de caixa saudáveis.
- Por que importa: FCL positivo indica que uma empresa tem flexibilidade financeira para investir em crescimento ou devolver dinheiro aos acionistas.
- Como usar: Procure empresas com FCL consistentemente positivo.
- Dica: FCL negativo nem sempre é ruim; A empresa pode estar investindo pesado no crescimento.
Leia também:
- Demonstrativo de Fluxo de Caixa: Como o dinheiro entra e sai de uma empresa
- Fluxo de Caixa Livre da Firma: O que é, para que serve e como calcular
12 – Índice de Liquidez Corrente
O índice de liquidez corrente é um indicador ideal para avaliar a liquidez de curto prazo de uma empresa. Em termos leigos, ele diz se uma empresa pode pagar suas dívidas de curto prazo.
Índice de Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante
Suponha que a empresa tenha ativos correntes de R$ 200.000 e passivos circulantes de R$ 100.000. A Relação Atual seria de $200.000 / $100.000 = 2. Isso sugere que a empresa E está em uma boa posição para pagar suas dívidas de curto prazo.
- Por que importa: um índice de liquidez corrente acima de 1 indica que a empresa pode cobrir suas obrigações de curto prazo.
- Como usar: Use esse índice para selecionar empresas que estejam financeiramente estáveis no curto prazo.
- Dica: Um Índice de Corrente muito alto nem sempre é bom; Isso pode significar que a empresa não está usando seus ativos de forma eficiente.
13 – Índice de Liquidez Instantânea
O índice de liquidez instantânea é o irmão mais conservador do índice de liquidez corrente. Ele mede a capacidade de uma empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo usando seus ativos mais líquidos.
Índice de Liquidez Instantânea = Disponíveis / Passivo Circulante
Onde:
Disponíveis = Caixa + Títulos e Valores Mobiliários + Contas a Receber
Suponha que a empresa tenha R$ 50.000 em caixa, R$ 20.000 em títulos negociáveis, R$ 30.000 em contas a receber e R$ 80.000 em passivos circulantes. O Índice Rápido seria de R$ 50.000 + R$ 20.000 + R$ 30.000) / R$ 80.000 = 1,25, indicando boa saúde financeira de curto prazo.
- Por que importa: um Índice Rápido acima de 1 é geralmente considerado bom, indicando que a empresa pode cobrir suas dívidas de curto prazo.
- Como usar: Use esse índice para selecionar empresas que estejam financeiramente estáveis no curto prazo.
- Dica: um Índice Rápido baixo pode ser um sinal vermelho para possíveis problemas de liquidez.
Recomendo a leitura:
Indicadores fundamentalistas: Dicas Práticas
Então, você tem o resumo desses indicadores essenciais de análise fundamentalista. Mas saber é apenas metade da batalha.
Vamos falar sobre como aplicar esse conhecimento como um profissional de Wall Street.
- Comece com um Screener: Os rastreadores filtram as ações com base nos critérios escolhidos, como a relação P/L ou a taxa de pagamento de dividendos. Use um rastreador para restringir suas opções e, em seguida, mergulhe mais fundo nas finanças das empresas restantes.
- Combine métricas para uma imagem mais completa: Nenhuma métrica única pode lhe dar uma visão completa da saúde de uma empresa. Use várias métricas para fazer referência cruzada e validar suas descobertas.
- Fique de olho nas tendências: Tendências em métricas como ROE ou LPA podem indicar a direção que uma empresa está tomando. Acompanhe essas métricas ao longo de vários trimestres ou anos para identificar padrões. Quer o preço de mercado atual da ação aumente ou o preço da ação caia, entender as tendências subjacentes pode lhe dar insights valiosos sobre os movimentos futuros do preço das ações.
- Não ignore a indústria: As normas do setor podem variar muito, afetando a forma como você interpreta as métricas. Sempre compare as métricas de uma empresa com as médias do setor.
- Diversifique seu portfólio: Colocar todos os ovos em uma cesta é arriscado. A diversificação pode ajudar a mitigar esse risco. Divida seus investimentos em diferentes setores, classes de ativos ou até mesmo países.
- Revisitar e Reequilibrar: Os mercados mudam, assim como o seu portfólio. Revise periodicamente seu portfólio para garantir que ele esteja alinhado com seus objetivos financeiros.
- Entenda os ciclos do mercado: Diferentes indicadores são mais relevantes em diferentes fases do ciclo do mercado. Use métricas como P/L e Dividend Yield para avaliar para onde o mercado pode estar indo.
- Fator nos Indicadores Econômicos: Condições econômicas mais amplas podem afetar estoques individuais. Fique de olho em indicadores como taxas de inflação, juros e crescimento do PIB.
- Confie, mas verifique: Mesmo as métricas mais confiáveis podem ser manipuladas. Sempre cruze métricas financeiras com dados qualitativos como qualidade de gestão e condições de mercado.
Leia também:
- Checklist de Warren Buffett para Interpretação de Demonstrativos Financeiros
- Fórmula de Graham para o Cálculo do Valor Intrínseco
- Análise Dupont: Como avaliar a saúde financeira de uma empresa
Conclusões
A análise fundamentalista é uma ferramenta valiosa que pode ajudar os investidores a tomar decisões de investimento informadas.
Neste artigo vimos 13 indicadores fundamentalistas essenciais. Foram eles:
- Índice Preço/Lucro (PL)
- Índice Preço/Crescimento de Lucros (PEG)
- Índice Preço/Vendas (PS)
- Índice Preço/Fluxo de Caixa (PCF)
- Índice Preço/Valor Patrimonial (P/VP)
- Índice Dívida/Patrimônio Líquido (D/E)
- Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE)
- Retorno sobre os Ativos (ROA)
- Margens de Lucro
- Dividend Yield (Dy)
- Fluxo de Caixa Livre (FCL)
- Índice de Liquidez Corrente
- Índice de Liquidez Instantânea
Ao entender as principais métricas de análise fundamentalista, os investidores podem identificar empresas com fortes perspectivas de crescimento e fazer escolhas sólidas de investimento.
A utilização destes índices financeiros proporciona-lhe uma forma objetiva de avaliar empresas individuais e o mercado de ações em geral, bem como uma estrutura para compreender o valor da forma como investidores altamente bem-sucedidos como Warren Buffett o veem.
Apesar de equipados com essas ferramentas de análise, os preços das ações são influenciados por diversos fatores. No entanto, ao longo do tempo, o capital tende a migrar para o valor real, ou valor intrínseco.
Como disse o mentor de Buffett, Benjamin Graham: “No curto prazo, o mercado é uma máquina de votação, mas no longo prazo, é uma máquina de votação”.
Bons investimentos!
Leitura recomendada
- Análise Fundamentalista, 2ª Ed, 2019 – por José Kobori
- Avaliando Empresas, Investindo em Ações, 1ª ed, 2008 – por Carlos Debastiani e Felipe Russo
Fontes de consulta
- https://www.forbes.com/sites/investor-hub/article/10-key-financial-ratios-every-investor-should-know
- https://blog.wisesheets.io/11-best-fundamental-analysis-indicators-every-investor-must-know/
- https://www.ytaschool.com/post/top-5-fundamental-analysis-metrics-every-investor-should-know
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